MINHA LEMBRANÇA

 

Nasceu, nasceste,

E eu, que às vezes me digo poeta,

Ainda não te fiz nenhum verso.

Busco remir minha falta.

És pequeno, és menino,

Nasces com o amor,

Simbolizas o amor –

Conseguindo arrancar sorrisos dos corações mais áridos.

 

Viva! Viva!

Cresce logo,

Pega a pipa,

Toma a bola,

“Cuidado com os carros”,

“Não corra muito”,

“Menino, você vai cair”.

Buá!

 

Seis anos. Sete horas.

“Acorda Berguinho. Está hora da escola.

Troca de roupa logo p’ra não se atrasar”.

 

E pegar livros. E sair correndo.

E chutar todas as latas que vierem pelo caminho

Numa explosão de raiva contra a mestra que o fará sair da cama às sete todo dia.

 

Está na hora do “pega”,

Leva a bola se não “num tem”.

Vença jogo. Perde jogo.

Funda time. Acaba time.

 

E a vida irá passando

E meus versos ficarão

Por ti sendo relembrados

Em momentos de saudade.

 

Mas, por enquanto, és pequeno,

És menino,

E eu, que às vezes poeta me digo,

E que ainda não tinha feito versos sobre ti,

Agora desperto e vejo que

Nasceu, nasceste

E já cresceste.

Viva! Viva!

Hip! Hurra!

 

Toma a pipa,

Pega a burra,

Tem cuidado que dá coice,

Sai correndo que vem chuva.

Vai ver “vô”

E diz que depois eu vou,

E fala de alegria,

E dá tua mensagem de amor.

Dorme, dorme.

De ninar, tua cantiga,

Diz que a cuca vem pegar,

Mas tio “velho”, que às vezes poeta se diz,

Nunca haverá de deixar.

 

Viva! Viva!

É hora de despertar,

É hora de falar, de correr,

De bancar o “mocinho”

E atirar no tio “índio”

Que queria te bater.

Bam! Bam!

Dormir, acordar, brincar...

 

Dormir, acordar, brincar,

E os anos ver passar.

Bam! Bam!

Hip! Hurra!

Um abraço.

 

“Sete e sete é dezesseis...

Não, é treze”.

“Raiz de dois é um vírgula quarenta e um”.

Duas épocas, uma distância de tempo

Que vários anos traduz.

 

Mas, porque falo de eras, de tempo,

Se o que importa é o agora?

E agora és menino,

Vives o fulgor da infância,

Choras pela mamadeira,

És criança.

Mais uma vez Hip! Hurra!

 

 

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